segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

Charanga dos artistas fará homenagem aos mestres da cultura tradicional

A Charanga dos Artistas promete uma grande celebração da arte e da cultura poços-caldentes reunindo companhias teatrais locais e bonecos gigantes em uma grande festa ao som da Banda do Miguelzinho, com as tradicionais marchinhas.

Neste carnaval, a Charanga vai homenagear, especialmente, os mestres da cultura tradicional de Poços de Caldas. Bonecos de Dona Orlanda, Seu Joaquim, Seu Pedro Caiapó e Seu Luiz Siqueira, além de Pedro Botelho, Bufão, Aldir Blanc e Ramon Valdés se misturam a 17 grupos teatrais, de circo e dança, levando alegria, vibração e criatividade para o Parque José Affonso Junqueira, de 18 a 21 de fevereiro (sábado a terça-feira), das 16h às 19h. Antes, na sexta-feira (17), a Charanga anima a entrega da chave da cidade ao Rei Momo, nas escadarias da Prefeitura, às 18h, seguida por Cortejo até o Parque José Affonso Junqueira, abrindo oficialmente a folia.
“É uma alegria poder retomar o Carnaval com a presença da Charanga dos Artistas pela força de sua tradição e por tudo que congrega, especialmente no que diz respeito às homenagens que sempre presta a personagens e histórias da cidade. O público poderá também rever os bonecos que participaram conosco das comemorações dos 150 anos de Poços de Caldas”, ressalta o secretário municipal de Cultura, Gustavo Dutra.

A novidade para 2023 é a mudança do nome concurso Baranga da Charanga que passará a se chamar “Bufão da Charanga”. Durante as reuniões desse ano, foram tomadas decisões importantes para o projeto, que vão ao encontro das mudanças que vêm ocorrendo no mundo. Os participantes destacam que o artista, além de ser um agente da diversão, é também um ser político. E, por isso, a primeira decisão tomada conjuntamente foi a exclusão de temas e músicas que induzem ao racismo, machismo e opressão a minorias.
Para o artista Gabriel Solanno, a mudança é de grande relevância. “Eu acho muito importante e válida a retirada do concurso, pois já não é mais bem visto tratar certas coisas como piada. A Baranga da Charanga foi criada com um intuito de divertir o público, mas hoje vemos que não se encaixa mais nos nossos princípios. Fazer chacota com minorias, etnias, raça, sexualidade não é mais uma coisa que cabe na nossa sociedade”, ressalta.
Dema Mello, um dos fundadores da Charanga, diz que o termo baranga é muito pejorativo, pois teoricamente se refere a mulheres feias e vulgares. “Nunca foi a nossa intenção, utilizávamos o nome porque rimava com Charanga. Por isso vamos utilizar a palavra correta que deriva do teatro antigo”, afirma. Desta forma, a Charanga resolveu transformar o concurso no personagem tão característico do carnaval desde a Idade Média: o bufão, figura tão cara às manifestações carnavalescas.

“A gente vem de uma transformação na sociedade, em busca da diversão sadia, da exclusão do escárnio em forma de piada, importante a gente se colocar no lugar do outro. Quando se digita baranga nas buscas por imagem na internet o primeiro rosto que aparece é de Lizzie Velásquez, que desde sua infância, passando pela adolescência, foi vítima de muitas situações degradantes e críticas excessivas devido a sua aparência, que está fora do padrão estético requerido por grande parte da sociedade. Em 2006, quando Velásquez tinha apenas 17 anos de idade, um vídeo com sua imagem foi postado no Youtube. O apelido que ela ganhou foi a mulher mais feia do mundo”, explica Clisthenis Betti, o responsável pelo novo nome da atração. Ao trazer o bufão para a festa, os integrantes da Charanga concluem que só têm a ganhar.

Também nesta edição, os tradicionais bonecos da Charanga reverenciam grandes mestres da cultura popular da cidade: os saudosos Seu Joaquim (Joaquim José da Cruz, mestre Moçambique, falecido em 2021), Seu Pedro Caiapó (Pedro Antônio Ramos, chefe do Grupo de Caiapós do São José, falecido em 2013), Seu Luiz Siqueira (Luiz Siqueira, Rei Congo, falecido em 2019) e Dona Orlanda da Conceição, mestre da Cultura Popular pelo Ministério da Cultura e Capitã do Terno de Congo Santa Bárbara e São Gerônimo que, aos 95 anos, vai poder prestigiar a homenagem.
Entre os homenageados pelos bonecos gigantes da Charanga também está o grande letrista e compositor Aldir Blanc, falecido em maio de 2020, aos 73 anos, em decorrência da Covid-19. Em 50 anos de atividade, escreveu seu nome entre os maiores da Música Popular Brasileira, nome que também batizou a Lei de Emergência Cultural, criada para auxiliar artistas e fazedores de cultura durante a pandemia da Covid-19.

Os grupos de teatro, dança e circo vão prestar homenagens a escritores como Lewis Carol, autor de Alice no País das Maravilhas. Os professores, a ciência, os garis, o pintor Pablo Picasso e Jacques Rodrigues de Carvalho, que dedicou a vida aos mais necessitados de Poços de Caldas e faleceu no ano passado, também serão homenageados, entre muitas outras referências.
A Charanga tem como coordenador Anésio Avelar e como coordenadores dos bonecos Marcelo Oliveira e Igor Reis. Clisthenis Betti, Jacque Ferrari e Viviane de Figueiredo são os responsáveis pelas reformas dos bonecos e criações de adereços. Já os carregadores dos bonecos são Vinicius Reis, Thomas Reis, Kenny William, João Batista Silva, João Victor Ananias Horácio, Diego Reis, Leandro Marcos Oliveira de Brito e Gabriel Schultz.

Beatriz Aquino



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